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28 de fev. de 2010

Entrevista com a cantora Ithamara Koorax, concedida a Netto Moura para o Blog Riacho Doce em 18/02/10.

NM - Na época, como foi para você saber que uma música sua estaria na trilha sonora da minissérie?

IK - Fui convidada pelo Mariozinho Rocha, diretor musical da Rede Globo, para gravar "Iluminada". Acho que esse convite aconteceu em maio ou junho de 1990. Ou seja, eu sempre soube que a música era para ser incluida na trilha da minissérie. O único risco era o Mariozinho ou algum outro figurão não gostar da minha gravação. Mas, felizmente, todo mundo amou e isso me abriu as portas na Globo. Foi minha primeira gravação-solo e tocou muito nas rádios, chegando ao Top 10 em várias emissoras tanto de AM como de FM. Mariozinho virou meu fã, assim como a autora Ana Maria Moretzsohn, que mais tarde me chamou para cantar o tema "Cristal", que ela compôs para a personagem vivida por Sandy na novela "Estrela Guia" em 2001. Mais recentemente, gravei em 2007, no CD "Obrigado Dom Um Romão", a letra em português que Ana Maria escreveu, especialmente para mim, para a canção italiana "Estate". Nada disso teria acontecido sem "Iluminada", uma linda obra de Chopin (Balada nº 1 em Sol Menor) adaptada pelo Ary Sperling, que também fez o arranjo e tocou teclados, com letra do Aldir Blanc.

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22 de fev. de 2010

Entrevista

Entrevista com o Diretor Reynaldo Boury, concedida a Netto Moura para o Blog Riacho Doce em 22/02/10.

NM - Como foi a experiência de dirigir ao lado de Paulo Ubiratan e Luiz Fernando Carvalho?
RB - O Paulo Ubiratan era tudo de bom. Excelente profissional e amigo. Uma perda lamentável. O Luiz Fernando é um gênio. Sempre com idéias renovadoras.




NM - As externas foram em Fernando de Noronha, você chegou a dirigir na ilha, ou apenas no estúdio?

RB - A direção era dividida de acordo com as necessidades dos roteiros. Na ilha fiquei com todas as cenas submarinas. Mas também em outras locações. No estúdio só não fiquei com o cenário da casa do Herson Capri e Vera Fisher. O Paulo Ubiratan
fazia questão deste cenário. Mas a maioria das cenas da Fernanda Montenegro, no estúdio, participei ativamente.

NM - E como foi trabalhar com Fernanda Montenegro, Vera Fischer, Carlos Alberto Riccelli...?

RB - Todos excelentes profissionais.


NM - O elenco era sensasional, muitas pessoas talentosas, entre elas teve alguma em especial que mais gostou de dirigir?

RB - Fernanda Montenegro com toda a certeza.


NM - Você disse que ficou com as cenas submarinas? teve que mergulhar também?
RB - As cenas submarinas foram captadas por uma camera especial, que veio de Miami apenas para a série. Ao terminar a camera voltou.
Na época era o que tinha de mais perfeito. A qualidade de imagem era perfeita. Ótima! Um cabo, ligado à camera, estava conectado ao monitor que ficava no barco. Tudo era assistido na hora da gravação, e posteriormente analisada no video tape. Não mergulhei. Não precisava.
Era muito mais objetivo ficar "vendo" através do monitor.

Depois, na revisão, todas as decisões de "valeu" ou "vamos regravar", ficava mais fácil. Todas as cenas eram cuidadosamente verificadas, antes do mergulho, pois se tivessemos que repetir, o folego dos atores iria para o espaço.
O Riccelli tinha um dublê. Era o Randal, mergulhador profissional, que tinha uma empresa de *mergulho submarino* para os turistas.
Todas as cenas eram acompanhadas por um fiscal do Ibama, para preservação da fauna.Tudo muito complicado, mas que deu certo.
A cena do harpão foi a mais complicada, pois envolvia seres humanos e se a arma disparasse, sem querer, seria muito perigoso.
Ao terminar a gravação realizei um mergulho submarino, claro com o Randal ao meu lado. Fiquei por 45 minutos "vagando" pelo fundo do mar, a 25 metros de profundidade. Tudo devidamente registrado com uma gravação "ao vivo."
Recordação de uma viagem inesquecivel.
O Randal disse que o astronauta foi até a lua e o Boury até o fundo do mar.


NM - Este ano a minissérie completa 20 anos, se houvesse uma nova versão, quem você escalaria para fazer os papéis principais?

RB - Muito dificil escalar outro elenco para repetir o sucesso da primeira versão. Mas a Fernanda Montenegro estaria no meu elenco, sem sobras de dúvidas.


NM - Entre tantos trabalhos na TV acho difícil escolher um ou dois, mas qual lhe deu mais satisfação em fazer?

RB - A melhor novela que dirigí foi *Tieta*. Tudo dava certo. Elenco afiadíssimo com a Direção. O clima era o melhor possível. Nada se compara a *Tieta*


NM - Atualmente está trabalhando ou com algum projeto?

RB - No momento estou com um Projeto de uma novela para a TV de Angola. Em 2008 realizei uma novela, também para a TV Angolana e foi um sucesso.

Reynaldo conta algumas curiosidades de bastidores, e revela que a atriz Cássia Kiss foi substituída em última hora.


"A Beth Goulart não era a personagem escalada para o personagem. Era a Cássia Kiss, que chegou a ir para Fernando de Noronha, mas se desentendeu com o Paulo Ubiratan e foi cortada."


"As primeiras gravações da personagem seria nas externas em Noronha.
No primeiro dia, seria no exterior da Casa de Carlos e Eduarda.
A Cássia queria por que queria usar um chapéu imenso. A figurinista, Beth Filipeck não aprovou. Avisou ao Paulo Ubiratan da insistência da Cássia.

Recado do Paulo para a Cássia através da figurinista: " - Tira o chapéu."


" - Não vou tirar. Faz parte do personagem. Me sinto bem com ele."

" - O Paulo mandou tirar."
" - Não tiro. Pronto."

O Paulo que a tudo assistia de longe, foi falar com ela.
Ela batia o pé firme de não tirar o chapéu. O Paulo afirmou.

"Ok, não tira, mas você está fora da série. Pode trocar a roupa e esperar a hora de embarcar de volta, para o Rio de Janeiro."


Foi uma bomba! Toda a gravação estava atrasada. Não haveria tempo de trocar a atriz. Além do que estávamos em Fernando de Noronha.
Não teve jeito.
O Paulo estava irredutível. Tem que trocar.

O escalado para voltar para o Rio e selecionar outra atriz, sobrou pra mim.

Quando estava em Recife, no aeroporto entrei em contato com a Beth Goulart. Ela topou. Quando cheguei ao Rio, tudo já estava providenciado.
A Beth sairia de São Paulo, onde morava. Foi direto para Recife, onde nos encontramos e voamos para Fernando de Noronha, onde, do aeroporto ela foi direto para a locação."


Reynaldo ainda conta outro fato curioso do ator Rômulo Arantes do Nascimento


"A equipe técnica e artística da série lá em Fernando de Noronha, costumava ir as noites, na única boate da ilha.
Tudo na mais perfeita harmonia com os nativos (assim eram chamados os moradores da Ilha). Mas sempre tem aquele que quer se mostrar um pouco.

" - Voce é o tal campeão de natação?" Era um nativo perguntando para o Rômulo, que na época era campeão mundial de natação.
" - Sou. porque?"

" - Pois estou te desafiando para uma peleja lá na bahia."


O Rômulo procurou por todos os meios de não aceitar a proposta.
Mas não teve jeito.
O nativo perturbou por toda a noite. E nas próximas noites também insistia no desafio. Afinal ele era "o cara" da Ilha. Ninguém nunca tinha ganhado dele.
Depois de muita conversas, ficou acertado o desafio valendo 5 caixas de cerveja para as noitadas na boate. No dia, toda a população da Ilha estava pronta para assistir o embate.
O percurso seria algo em torno de 200 metros. Quando foi dada a largada, o Rômulo simplesmente não caiu na água. Teria desistido?
Depois que o nativo já estava mais ou menos no meio do percurso, o Rômulo mergulhou. Passou pelo nativo como um raio, e chegou com uma boa diferença. O desafiador estava arrasado. Foi estrondosamente vaiado. E a noite teve que amargar as gozações de todos na boate. Mas tudo terminou numa boa. Acabaram dois grandes amigos até o final das gravações."

Reynaldo, muito obrigado pela entrevista, agradeço a gentileza e colaboração com blog.


mais sobre o Diretor: Blog - Wikipédia


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19 de fev. de 2010

Entrevistas

Vera Fischer fala de sua personagem para o Vídeo Show, entrevista que está no Making Of da minissérie.

"A Eduarda é muito simpática, ela tem uma coisa muito especial porque, ela mostra a dualidade de uma pessoa, é uma pessoa muito sensível, muito frágil, fica até engraçado eu fazendo esse tipo de personagem, que eu sou toda fortona, mas eu gosto do lado que a Eduarda tem, do lado infantil, do lado sensível que é demonstrado em todas as horas que ela se sente encurralada, e eu acho que no caso dela como ela é uma pessoa que realmente já nasceu fora de uma vida que ela não queria, enfim, ela nasceu num lugar de frio e ela gosta de sol, nasceu num lugar de pessoas fechadas e ela gosta de luz, gosta de colorido, então eu acho que de repente é uma pessoa muito amargurada com todas as diferenças que aconteceu na vida dela desde que ela nasceu, e isso tudo de repente modifica-se quando ela chega num lugar chamado Riacho Doce."

Cissa Guimarães - Uma das mais importantes locações para essa série brasileira é o paradísiaco arquipélago de Fernando de Noronha, um lugar além da imaginação...

Vera Fischer - É, Fernando de Noronha é realmente os que as pessoas imaginam, é um sonho, aquele marzão, aquele céu, aquela areia e tudo isso é muito bonito!


Cissa Guimarães - Mas o que acontece quando as gravações passam para o estúdio?
será que o astral continua o mesmo das gravações feitas em Fernando de Noronha?

Vera Fischer - Quando eu pisei no cenário, mesmo o cenário meio em branco, porque no início quando a Eduarda chega com a família dela a Riacho Doce,
ela não tem uma identificação na casa, é uma casa que foi de outras pessoas, então ela chega e não tem verde, não tem a cara dela e tudo mais... mas mesmo quando eu pisei no cenário eu senti que dava pé de fazer uma coisa genial, porque você anda bastante e a Eduarda anda muito de pé no chão porque ela gosta, ela chega e se despoja das roupas, ela se modifica um pouco, então o cenário é lindo pra isso, tem uma escada, e ele é muito parecido mesmo com a casa local onde nós fizemos as externas, então isso ajuda muito, porque a casa é vazada, muitas janelas onde entra a luz do sol, que é uma coisa importantíssima pra Eduarda, o tempo todo ela fala, "porque o sol, o sol, o sol" insclusive ela desmaia por causa do sol um dia, isso é uma coisa, é hipersensibilidade, então o cenário ajuda nesse ponto porque a pessoa roda, gira, é bonito o público não está tão acostumado a ver esse tipo de movimento de camera. É rico pro ator, é rico pro público, pra todo mundo.

Herson Capri também falou de seu personagem:

"Ele tem essa coisa na alma, essa coisa européia de uma certa frieza, uma certa objetividade, uma coisa com excesso de profissionalismo, pensa muito forte no trabalho, é um contraponto aos brasileiros em Riacho Doce que tem uma coisa sensual, uma coisa muito emotiva."



assista a entrevista.

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18 de fev. de 2010

Entrevista

Entrevista com a cantora Ithamara Koorax, concedida a Netto Moura para o Blog Riacho Doce em 18/02/10.

NM - Na época, como foi para você saber que uma música sua estaria na trilha sonora da minissérie?

IK - Fui convidada pelo Mariozinho Rocha, diretor musical da Rede Globo, para gravar "Iluminada". Acho que esse convite aconteceu em maio ou junho de 1990. Ou seja, eu sempre soube que a música era para ser incluida na trilha da minissérie. O único risco era o Mariozinho ou algum outro figurão não gostar da minha gravação. Mas, felizmente, todo mundo amou e isso me abriu as portas na Globo. Foi minha primeira gravação-solo e tocou muito nas rádios, chegando ao Top 10 em várias emissoras tanto de AM como de FM. Mariozinho virou meu fã, assim como a autora Ana Maria Moretzsohn, que mais tarde me chamou para cantar o tema "Cristal", que ela compôs para a personagem vivida por Sandy na novela "Estrela Guia" em 2001. Mais recentemente, gravei em 2007, no CD "Obrigado Dom Um Romão", a letra em português que Ana Maria escreveu, especialmente para mim, para a canção italiana "Estate". Nada disso teria acontecido sem "Iluminada", uma linda obra de Chopin (Balada nº 1 em Sol Menor) adaptada pelo Ary Sperling, que também fez o arranjo e tocou teclados, com letra do Aldir Blanc.

NM - Como a música era tema da protagonista, estava sempre em evidência na trama, você acompanhava a minissérie?

IK - Claro! E lembro que "Iluminada" demorou para começar a tocar. Primeiro colocaram no ar uma versão instrumental. Só depois que o romance entre os personagens Eduarda (Vera Fischer) e Nô (Riccelli) engrenou é que a minha gravação passou a tocar. A trilha sonora vendeu muito nos formatos de vinil e CD, tendo já sido relançada duas vezes. Alguns anos depois, "Riacho Doce" foi lançada comercialmente em VHS, e depois em DVD, em 2007. Coleciono todas as edições!

NM - Você teve várias músicas nas trilhas das novelas da Rede Globo, tem uma que mais te marcou?

IK - Além de "Riacho Doce", que foi literalmente um marco na minha carreira e me deu o prêmio de cantora revelação de 1990 concedido pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), gosto muito das músicas feitas e gravadas especialmente para "Araponga", "Renascer", "Fera Ferida" e "Pedra Sobre Pedra". Outras músicas ultrapassaram a fronteira televisiva e fizeram sucesso até no exterior, como aconteceu com a gravação hip-hop de "A Rã", parceria de João Donato e Caetano Veloso que foi tema da personagem de Maitê Proença em "Cara & Coroa", e tocou muito nas danceterias e nos clubes de acid-jazz de Londres em 1994. Em 2003, tive a honra de gravar uma música inédita de Tom Jobim, "Absolut Lee", para a trilha de "Celebridade", usada como tema de um romance que não chegou a acontecer entre as personagens de Deborah Evelyn e Marcio Garcia. "Absolut Lee", por ser cantada em inglês, entrou na parte internacional, e fez mais sucesso em Portugal do que no Brasil, além de ter sido incluida também no meu CD "Autumn in New York", lançado mundialmente em 2004. Outra curiosidade foi que, em "Renascer", além de eu ter gravado o tema "Joaninha", eu também gravei uma "Ave Maria" como tema do Padre Santo, mas esta gravação não entrou no disco da trilha, embora tenha tocado muito na telinha. O Mariozinho disse que não ia pegar bem incluir, numa mesma trilha, duas músicas cantadas por mim. Não tenho mais nenhuma cópia daquela gravação da "Ave Maria", então se você conhecer alguém que tenha gravado da telinha, por favor me avise! Última informação: em 1994, no meu CD "Rio Vermelho", eu gravei uma faixa chamada "Não Sei", que é uma adaptação de Gaya e Aloysio de Oliveira para o tema instrumental de abertura de "Riacho Doce", o "Estudo em Mi Maior Opus 10" de Chopin. Isto mostra o quanto a série "Riacho Doce" está presente na minha vida!


Muito obrigado Ithamara! Agradeço a gentileza e a colaboração com o Blog.

Mais sobre a cantora em: Blog - MySpace - Site


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17 de fev. de 2010

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14 de fev. de 2010

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Entrevistas

Trechos de entrevistas:
onde falam da minissérie...


Fernanda Montenegro

"Você fez a sua primeira minissérie na emissora, Riacho doce..."

"Fiz minha personagem com muito carinho. A direção foi do Paulo Ubiratan, com quem me dei tão bem! Ele sempre me chamava para saber se eu podia fazer novela.
Conheci Fernando de Noronha e trabalhei pela segunda vez com a Vera Fischer, que é uma companheira de trabalho maravilhosa. Ela é uma atriz forte, uma mulher poderosa mesmo. Ela tem um dinamismo avassalador. Foi muito bom."


Fonte: Memória Globo

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Ana Rosa

Como foi seu salto para a TV Globo, a Vênus Platinada – uma televisão com padrões do primeiro mundo?

Em 1990, Paulo Ubiratan me convidou para fazer a minissérie Riacho doce.
Numa só tarde participei de uma maratona: reunião de elenco, ida ao figurino para tirar medidas, apresentações ao pessoal da maquiagem, cabelo e arte. Peguei os capítulos e tomei conhecimento da minha personagem, discuti salário, assinei contrato e recebi um monte de panfletos com informações sobre as regras do que era permitido ou não em Fernando de Noronha, que é uma reserva ecológica. Fui informada de que viajaríamos no domingo seguinte para aquela ilha. Num espaço de poucas horas, recebi mil informações, tomei resoluções importantes e conheci pessoas responsáveis por vários setores.

Qual foi seu melhor momento na TV Globo?

Novamente foram vários. Riacho doce, O dono do mundo, Despedida de solteiro,
O rei do gado, Corpo dourado, O beijo do vampiro...

Fonte: Editora Butterfly



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13 de fev. de 2010

Curiosidades

Riacho Doce foi exibida entre 31 de julho a 5 de outubro de 1990 em 40 capítulos.
A externas foram gravadas no arquipélago de Fernando de Noronha trazendo belíssimas imagens.

Trazer a obra de José Lins do Rego para a TV foi uma idéia de Aguinaldo Silva. Na verdade, ele não se lembrava bem da história, lida na infância, mas a sensualidade e a beleza literária eram emoções ainda muito fortes. E esses elementos foram preservados na adaptação, mesmo com todas as liberdades tomadas.
 

O projeto Riacho Doce nasceu de um programa sobre Fernando de Noronha, exibido pelo Globo Repórter e assistido por Paulo Ubiratan. Deslumbrado com as imagens de fundo do mar, Paulo ousou e obteve belíssimas cenas, que só enriquecem este "romance com pitadas de tragédia e aventura" como, na época da estréia, definiu a minissérie. A aventura, é claro, fica por conta dos mergulhos e do fundo do mar. Quanto ao romance e a tragédia, decorrem da paixão de Nô (Carlos Alberto Riccelli) e Eduarda (Vera Fischer) e a proibição pela mística vó Manuela (Fernanda Montenegro). 
 

Apesar de não muito divulgado pela produção da minissérie, a praia de Carne de Vaca, em Pernambuco (divisa com a Paraiba) serviu de cenário para a vila de pescadores, e muitos moradores da praia foram figurantes da trama. Depois do fim das filmagens, pensou-se em mudar o nome da praia, de Carne de Vaca para Riacho Doce, mas parte da população não aceitou a ideia.


A atriz Beth Goulart não era a personagem escalada para viver Helena. Era a Cássia Kiss, que chegou a ir para Fernando de Noronha, mas se desentendeu com o Diretor Paulo Ubiratan e foi cortada do elenco.


Outra mudança foi na personagem Cristina, quem faria seria Tatiana Toffoli, que não chegou a fazer a minissérie, e acabou sendo interpretada pela Suzy Rêgo.




Riacho Doce foi reapresentada entre 1º de abril a 10 de maio de 1991 na sessão Vale a Pena Ver de Novo, às 13h30, em 30 capítulos, e no fim de tarde, entre 16 de fevereiro e 27 de março de 1998, às 17h00, com os mesmos 30 capítulos, na faixa de programação intitulada Tempo de Verão.

Também foi lançada em vídeo nos anos 90,
e em DVD, em 2007, em uma caixa de 5 discos.

Em muitas cenas da minissérie foi explorada a sensualidade dos protagonistas, fato que gerou polêmicas sobre a nudez na televisão. A minissérie provocou discussão em alguns setores da imprensa e no meio artístico.Tanto nas reprises quanto no DVD as cenas de nudez foram cortadas.

A trilha sonora da minissérie foi lançada originalmente em vinil.
A Som Livre reproduziu as mesmas faixas em CD, junto com a minissérie relançada pela Globo em DVD.



O Romance "Riacho Doce" de José lins do Rêgo também foi adaptado para o cinema com o título de "Bela Donna" um filme brasileiro e estadunidense de 1998, com Eduardo Moscovis interpretando o pescador Nô e Natasha Henstridge no papel de Donna, (que na minissérie é Eduarda, interpretada por Vera Fischer).


 

Sinopse do filme

Na década de 1930, Donna e Frank, um casal de estrangeiros, vem para o Brasil, mais precisamente, para o Ceará. O homem vem para trabalhar num empreendimento petrolífero, e a sua esposa logo se integra aos hábitos da região e acaba conhecendo um atraente pescador, Nô. Os dois acabam apaixonando-se. Em inglês o título do filme é (White Dunes) Areia Branca, no Rio Grande do Norte. foi o local onde aconteceram as filmagens.


Atores falecidos:


Chiquinho Brandão - Pedro
Falecimento - 4 de junho de 1991 (39 anos)
Rio de Janeiro, RJ



Luís Maçãs - Dr. Alfredo
Falecimento - 26 de julho de 1996 (32 anos)
Rio de Janeiro, RJ



Jofre Soares - Zé Divino
Falecimento - 19 de agosto de 1996 (77 anos)
São Paulo, SP


Rômulo Arantes - Julião

Falecimento - 10 de junho de 2000 (42 anos)
Maripá de Minas, MG


Francisco Milani - Delegado
Falecimento - 13 de agosto de 2005 (68 anos)
Rio de Janeiro, RJ

 
Fábio Junqueira - Frei Hans
Falecimento - 20 de novembro de 2008 (52 anos)
Rio de Janeiro, RJ


Sebastião Vasconcelos - Fabiano
Falecimento - 15 de julho de 2013 (86 anos)
Rio de Janeiro, RJ



Veja também: Elenco - Informações - A História - Entrevistas
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9 de fev. de 2010

6 de fev. de 2010

O Livro



A primeira edição publicada foi em 1939.

Em Riacho Doce, José Lins reúne amor e petróleo. Um casal de suecos vem para o Brasil, para Alagoas, e a loura Edna se extasia com a força tropical do Brasil, que ela descobre. Apaixona-se por um mestiço nordestino, Nô, uma das figuras mais empolgantes de toda a ficção numerosa e rica de José Lins.

O amor de Edna e Nô é o núcleo desse romance que é um dois mais ardentemente humanos desse contador de histórias inesgotável, impregnado de oralidade.

Seu estilo nesse romance é um milagre de naturalidade e de intimidade com a natureza ou integração na própria natureza exterior. Uniu como ninguém memória e imaginação, primitivismo e arte, povo e ficção.

Personagens nativas e rústicas se misturam a essa estranha sueca, fascinada pelo mundo bárbaro e poderoso de um Nordeste que é todo verdade vista e vivida. Mãe Aninha e Nô saltam diante dos nossos olhos como criações exatas, inesquecíveis.

E a sueca misteriosa vem descobrir sensualmente a força telúrica do Nordeste rústico, o ritmo popular, os sabores e os cheiros, as formas, as cores, a vida intensa de uma região que é o mundo perene desse grande narrador em contato amoroso com a vida.

Sem ser porventura uma das suas obras mais individualmente destacáveis, Riacho Doce conserva o mesmo valor documental, a mesma significação crítica, a mesma força novelística e as mesmas belezas das outras obras do escritor.

Em Riacho Doce, José Lins do Rego nos dá a sua visão possante dos desequilíbrios sociais e dos dramas humanos individuais e coletivos, provocados pelo problema do petróleo em Alagoas. Tudo decorre deste trágico problema da nossa vida contemporânea.

As marés sucessivas de entusiasmo, de desapego às tradições, provocadas pelo engodo da riqueza, e das desconfianças supersticiosas e cóleras nascidas das desilusões naquela mansa terra de pescadores, são descrições de psicologia coletiva das mais vivas e reais que o romancista já fez.

A psicologia de Edna, a fraqueza supercivilizada do engenheiro sueco, a Mãe Aninha que é a melhor análise de psicologia supersticiosa já feita pelo romancista, são todos seres de vida empolgante.

De Nô se dirá a mesma coisa, talvez a figura de mestiço, ou melhor, talvez a figura popular mais delicada, mais impressionantemente exposta em todas as incongruências e males de sua condição, da nossa literatura. Não será mais profunda, mais humana que a do moleque Ricardo, mas é de uma delicadeza incomparável.

E páginas como a descrição dos primeiros tempos de Edna no Riacho Doce, numa linguagem saborosa, ou capítulos como o do estouro da Mãe Aninha, em que a maldição é criada com uma intensidade trágica maravilhosa, são verdadeiramente passos geniais.


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Parte 17




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5 de fev. de 2010

2 de fev. de 2010

Parte 14




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1 de fev. de 2010

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